O nosso tempo e o tempo do relógio.
6 de abril de 2016
Férias! Pra quem? Rs
18 de julho de 2016
Exibir Tudo

Sumidaça, aça, aça! Mas hoje será um dia bom porque VOLTEI! Quando escrevo aqui fico tão feliz… Não importa se uma, duas ou cem pessoas vão ler, escrevo primeiramente pra mim. Se tocar o coração de alguém, é bingo!

Temas variados foram pipocando pela minha cabeça durante esse tempinho de ausência, tô é com assunto acumulado! Mas hoje venho aqui falar sobre as coisas que tenho saudade de fazer ou até mesmo de sentir da época pré-maternidade.

Tenho saudade de ter dinheiro sobrando, porque minha gente, com filho nesse mundo (principalmente no Rio de Janeiro), tá difícil acabar o mês com saldo positivo na conta. Falta grana pra pagar conta, pra viajar (ah, viajar…), e viajar com filho pequeno é uma delícia, mas eu particularmente acho BEM cansativo. Não rola se jogar em qualquer destino. Pra gente aqui, precisa de um super planejamento que conta até com uma farmácia ambulante para casos emergenciais, rs. Tá, gente, ok, sou um pouco exagerada e precavida por natureza. Eu sei que tem uma galera corajosa aí que se aventura mesmo, mas eu não faço parte dessa galera (PS: vocês têm todo o meu respeito).

Tenho saudade até do que não fiz. Por que, meu Deus, por que eu não morei fora uns 3/6 meses da minha vida? Podia ter feito um curso de línguas, podia ter me embrenhado num “work experience”, podia ter ficado de bobeira, praticando o “nadismo”, meu corretor corrigiu pra “nudismo” (destaco que seria uma ótima opção também) num canto aí desse mundo… Que idiota eu fui! Quando eu vou poder fazer isso? Nem tão cedo, considerando que ainda queremos ter mais um filho. Mãe é tudo doida! A gente reclama, reclama, mas quer fazer mais filho! Saca juízo? Então, não temos um pingo!

Não tenho saudade de altas noitadas (pra falar a verdade, acho que sempre fiz um esforço enorme pra gostar, mas de fato, nunca foi a minha praia, e por falar em praia, tem séculos que eu não vou a uma. Ir à praia com criança pode virar tema pra um outro post. Ô logística complicada!)

Outro dia, eu e Marcelo ganhamos um vale night! Fomos ao teatro. Vale night pra mim, depois da maternidade se tornou isso: teatro, cinema, jantar fora, casa de amigos, ou no máximo, ir a um show! (Caracaaaa! Ir num show é muita tiração de onda pra mim! É ressaca garantida por uma semana.) Na volta pra casa, passando de carro pela porta de uma boate, vendo aquela fila giga que dobrava o quarteirão, agradeci mentalmente por não estar ali. Nem por um segundo sinto falta disso. Comentei com Marcelo, ele concordou. Não sei se pra me agradar, mas concordou! Prefiro a morte lenta a esses lugares escuros, lotados, com batistaca na cabeça pra sair surda. Tô véia, tô seletiva, tô curtindo netflix, me deixa ser eu! E também sempre que saio chega uma hora que o que eu quero mesmo é voltar pra casa e sentir o cheirinho do cangote do Vicente, vê-lo dormindo e sentir aquela paz de que, sim, tá tudo bem.

Mas tem uma coisa que sinto muita falta, talvez seja a falta mais sentida de todas: saudade de ser somente eu. Sem preocupações. Quando a gente vira mãe, vira um ser que se preocupa. Tá comendo bem? Tá curtindo a escola? Tá tossindo de novo? Liga pro pediatra. A febre já passou? Leva no homeopata. Por que não para de fazer birra? Por que sempre é um problema pra tomar banho? Isso é trauma de água, só pode! Acho que foi por causa daquela vez que ele caiu na piscina do Jean! (Sim, porque teve isso. Ele caiu dentro da piscina da casa de um amigo e meu filho do coração Leo o salvou! Pra gente não foi tão dramático porque tinham tipo 10 pessoas em volta que poderiam pular, mas ele tomou um susto, tadinho! Até hoje fala disso… :/) Será que estamos educando certo essa criança? Tá mimado… Tá malcriado (leia-se mal criado!) Tem certo? Tem errado? O que não pode fazer? O que eu devo fazer? Por que a criatura disse que quer morar sozinho aquele dia (com 4 anos de idade?!); adolescência precoce?; tá dormindo muito tarde… tem que mudar isso…  Só quer dormir na nossa cama, vai ficar dependente…; Tá vendo muita TV, tem que ver isso… ! E por aí vai! A lista é infindável. Saudade de me preocupar comigo mesma, apenas. Que amor esmagador!

Por isso, meu conselho pra você que não é mãe nem pai ainda (se é que vocês existem por aqui e considerando apenas os insanos que querem ser), a dica de hoje é: vai viajar, caceta! Vai fazer um intercâmbio! Coloca um mochilão nas costas e se joga! Não precisa nem ir pra muito longe… Tanto lugar maravilhoso nesse nosso Brasil que dá pra se perder, se achar… Pode ser de avião, de carro, de ônibus, de carona ou de bicicleta! Em hotel de luxo, 3 estrelas, beira de estrada ou num acampamento contando estrelas… Sozinho ou acompanhado. Vai se dar ao luxo de ser apenas um, desbrava esse mundo por mim, faz favor! Se joga! Só não viaja na maionese que nem eu, não! Quando vira dois (metaforicamente falando, sem desmerecer a individualidade saudável de cada um – e aqui eu falo dois me referindo a mãe e filho, considerando que homens – pais -, em sua imensa maioria, são seres mais práticos que não problematizam tanto a vida, – invejo um pouco, confesso, mas depois de dois segundos reafirmo minha vontade de voltar mulher nas próximas 7 vidas), a vida fica bem mais preocupante. Porém, contudo, todavia, entretanto, como disse Clarice, musa das musas:

“E a doçura é tanta que faz insuportável cócega na alma”.

A maternidade e suas dualidades… ❤️

PS: na foto, uma homenagem a mim, toda recatada e do bar, pré-maternidade, me encachaçando de liberdade! ?

PS2: próximo post com tema polêmico: vamos falar de sexo? Ohhhhhh! Vamos falar de sexo com a intenção de engravidar? Vocês transam? Acho que a maioria das pessoas transa, né? Então tá tudo certo, ufa! ?

 

 

 

 

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

11 Comentários

  1. Eu morro com seus posts! Leria por horas bjs bia

  2. Camila Prado disse:

    Adorei e me senti representada! Em tudo,inclusive o esforço para gostar da “night” pesada. Teve uma época da minha vida que eu gostei. Mas sempre preferi o dia.
    Me representa muito ao lamentar não ter vivido fora.
    E me representa muito em saber o que está deixando pra trás,lamentar,mas mesmo assim querer continuar na jornada materna, se jogar nela….
    Aqui só tá começando mas queria que não acabasse nunca…. ♡

  3. Luciana hungria disse:

    Hahahhaha adoro seus textos e me identifico em muitos pontos, devem ser coisas de escorpianas!

  4. Perfeito!
    O problema é quando a gente (eu!) fica já dúvida sobre o próximo passo porque ainda não viajou sufiente, porque ainda não trabalho no NY Times e acaba emplacando. Tem o outro lado da moeda também porque só depois de um bom tempo em um país é que você consegue assimilar a cultura e viver nas entrelinhas…
    Mas tem muita gente se jogando no mundo com filho. Com internet e trabalho remoto o mundo gira mais fácil. Há esperança 😉
    Beijos e sim continue escrevendo!
    Véu

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

DESEJA RECEBER NOVIDADES?
Preencha o formulário abaixo e fique por dentro das novidades do Multiplicamor!
Respeitamos as boas práticas de envio de email e não divulgamos suas informações.