Segundo trimestre e pra variar, mil questões!

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parede patch natalia sambrini blog

Legenda foto: decoração vanguarda do quarto do Vicente (será explicada no final deste post)

O segundo trimestre da gravidez é, sem dúvida alguma, o mais gostoso. É quando você tem a sensação que a gravidez “vingou”!, um momento em que não há mais tantos riscos. Você começa a se sentir super ultra grávida, mas ainda não se sente tão pesada, tão cansada, tão baranga (rsrs), ainda consegue dormir sem grandes dificuldades.

Sentir o bebê mexendo na barriga, é das coisas mais deliciosas que existem, aliás, isso pra mim é o ponto alto da gestação. Se você me perguntar se eu amei ficar grávida, eu te responderei que não, não amei. Mas amava sentir Vicente dando cambalhotas na barriga e reclamando quando não gostava de uma determinada posição. Ele mexeu a primeira vez entre o quarto e o quinto mês. No início, parecia uma cosquinha, uma minhoquinha passeando, dá até pra confundir com gases. Conforme o bebê vai crescendo, as mexidas vão se tornando mais intensas, a ponto de ser possível ver a barriga pulando! Na reta final, eles ficam mais quietinhos pois já não tem tanto espaço para suas acrobacias. E quando ele passava um dia mais quietinho, já me batia logo uma paranoia!

Tudo ia bem nas consultas, nos exames periódicos, só a ansiedade que aumentava cada vez mais. Eu sou o tipo de pessoa que quer tudo pra ontem e que quando encasqueta com uma ideia, sai de baixo! Esperar nove meses para conhecer meu filho, foi o maior exercício de paciência pelo qual eu já passei, em toda a minha vida.

Quando engravidei, estava desempregada. Por um lado, foi muito bom porque pude focar na gravidez, mas por outro, me sentia mal por sobrecarregar o Marcelo e os meus pais financeiramente. Mas dizem que quando a gente tem um filho, não fica sem trabalho. E eu “agarantcho”:  não fica mesmo! Cuidar de filho é um trabalho, na maioria das vezes, estafante. Mas o fato é que o Vicente me deu sorte também no trabalho remunerado. Antes dele nascer, passava por um momento super tenso, em crise com minha carreira de atriz, coincidentemente ou não, depois que ele chegou, me encontrei como roteirista e as portas se abriram pra mim. Desde então, não parei de trabalhar. E o melhor: trabalho de casa, faço o meu horário e posso supervisionar de perto a rotina dele. Isso não tem preço. Eu vejo o perrengue que tantas mulheres passam tendo que deixar seus filhos com 5, 6 meses com babás, em creches, tendo que desmamá-los e sem a menor estrutura emocional para voltar ao trabalho. Enfim, isso é tema para um outro post. Sei que sou uma privilegiada e sou muito grata por isso.

 

Convenci o Marcelo a fazer um curso de parto e primeiros socorros junto comigo. Ele, obviamente, achou que eu estava enlouquecendo, mas como com mulher grávida não se brinca, me acompanhou e no final das contas, até se empolgou.

Fizemos o curso da Steffany, uma doula francesa, que mora no Brasil e é mãe de quatro filhos. Bom, pra mim, uma pessoa, só pelo fato de ter quatro filhos – além de ser corajosa – tem muito a ensinar a uma que só tem o primeiro, na barriga!

O curso foi bem legal, principalmente o módulo do parto. Foi bom demais poder trocar com outros casais grávidos e ver que a angústia de um, é na maioria das vezes, a angústia de todos. Tirar um tempinho do dia pra pensar apenas em como seria o parto e a vida com nosso bebê.

Muito antes das mulheres se unirem para criticar o atual sistema de cesarianas que querem nos entubar, as “desnecesáreas”, já desejava intensamente que meu filho nascesse através de um parto normal. Muito antes de engravidar, já pensava em como essa experiência deve ser transformadora para uma mulher. Um momento de intimidade total entre você e o seu bebê. O momento em que o seu bebê diz ao mundo que está preparado e quer nascer. O momento em que a natureza age, que seu corpo passa a ser o meio, o transporte. Acho sublime, selvagem, queria ter o meu momento “bicho” (se você está achando que eu sou hippie, não sou. Porém não tenho nada contra eles, muito pelo contrário, simpatizo!) Quando digo “bicho” é no sentido mais bonito da palavra, como parte da natureza.

Acho estranho as pessoas não acharem isso natural, mas compreendo. O medo da dor é grande, a falta de informação também. A mim, apavorava muito mais a ideia de ter que passar por uma cirurgia, entrar na faca, do que parir.  Eu quis muito sentir essa dor, vamos combinar que não é uma dor qualquer, é a dor que vai te trazer o seu filho, né? E quem foi que disse que cesárea é indolor? Quem foi que disse que é fácil cuidar de um recém-nascido operada?

Mas são muitos fatores… É um absurdo uma mulher ter que recorrer a uma equipe particular para realizar um parto normal/humanizado. Aliás, este termo parto humanizado já é por si só muito louco!  Somos seres humanos, o parto se não for humanizado, seria o quê? Desumano? Sim, pior é que é isso mesmo.

Os médicos que atendem pelos planos de saúde, fazem de um tudo para convencer suas pacientes de que, no caso delas, a cesárea é indicada, afinal de contas, tudo é motivo: idade materna, circular de cordão umbilical no pescoço, bebê que não está encaixado, bebê grande demais… A lista é interminável. E como a mulher está num momento totalmente vulnerável, a opinião do médico acaba soando como a opinião de Deus. Por outro lado, os médicos que atendem pelos planos, ganham uma verdadeira miséria pra acompanhar um parto, que pode durar horas e horas… outro absurdo. Ou seja, está tudo errado. Para combatermos este sistema, temos uma grande arma: a informação. Isso ninguém pode nos tirar. E é atrás dela que eu sempre fui.

Comecei a me preparar para este momento:  fiz hidro numa academia só para grávidas; tive consultas regulares com a Cintia Porto, fisioterapeuta incrível que desenvolve um trabalho específico para as barrigudinhas, que virou minha amiga (te amo, Cintia!) e comecei a desenvolver uma sensibilidade que nem suspeitava ter para os milagres que iam acontecendo todos os dias conforme a barriga ia crescendo… Aos poucos, minha rotina ia se modificando inteiramente.

A hidro era muito relaxante! Eu ficava rezando pra chegar a hora de descansar o barrigão na água e trocar “figurinhas” com outras futuras mamães que faziam aula comigo. O universo tão feminino que envolve a gravidez é encantador. Conversar com mulheres que estão passando pela mesma experiência, é muito apaziguador. Fiz amizades bem legais e, pela primeira vez, consegui levar um exercício a sério! Não, porque eu ODEIO malhar, não tenho o menor saco para academia. Fico deprimida vendo as mulheres saradas, no estilo meião no joelho e eu ali, esbanjando toda a minha flacidez. Mas pelo menos não uso meião! Desculpa aí o preconceito, mas ninguém merece aquilo! Faço a linha preguiçosa (porém sem orgulho) e seria eternamente grata se leite condensado fosse bom pra emagrecer!

Falando em comida, o segundo trimestre é um momento crítico, porque qualquer mal estar vai embora e o apetite vira de leão. Foi quando eu comecei a engordar. Toda vez que tinha consulta com minha ginecologista, tomava um esporro fenomenal:

– Natalia, você não pode engordar três quilos em um mês!

E eu saía de lá e ia direto pra cafeteria da galeria comer um rocambole de morango com chantilly… Hihihi!

Chutei o balde mesmo, confesso. Não podia beber, não podia fumar, estava grávida, sim, mas continuava sendo euzinha, pô! Esse ser angustiado por natureza, só me restava comer, ora bolas!

No meio disso tudo, eu e Marcelo estávamos coordenando a obra do nosso apartamento. Já viram alguma grávida que não esteja envolvida com obras? Todas as que eu conheci, se mudaram, reformaram o apartamento, não tem jeito! E no nosso caso, nunca tínhamos morado juntos. Quem casa, quer casa, né?

Entre tintas, móveis, paredes e tijolos, começou a saga do quarto do Vicente. É que antes de descobri que eu estava grávida, fiz um escritório à la Frida Kahlo, com um patchwork floral na parede, em cores vibrantes e com fundo preto!!! E agora? Eu não queria tirar o patchwork, tinha ficado lindo! Custou uma grana pra fazer… As opiniões eram diversas: alguns diziam pra eu deixar como estava, outros, olhavam num misto de espanto e “sem graceza” para a parede e diziam:

– Este vai ser o quarto do bebê?!

E eu sorria, amarelo… Mas quer saber? Não tenho paciência pra esses machismos bobos de que quarto de menino tem que ser azul, com bola de futebol e de menina, rosa, de princesa. Ai, que chatice! Odeio essas obviedades! Menina pode brincar de carrinho, menino pode brincar de boneca, Vicente tem chupeta rosa, camisa rosa e é isso aí!

 

Chegou o dia da ultra morfológica. Este é um exame que se faz por volta de dezesseis semanas e mede cada órgão do seu bebê, dizendo se ele tem alguma má formação.

E lá fomos nós: eu, Marcelo e Carol, minha prima-irmã amada. Desta vez, estávamos tranquilos. Quem ficou nervosa foi a Carol (depois ela me confessou). Quando acabou o exame, ela disse:

– Nat, eu fiquei tensa… Aquele médico falando que era uma ultra importante, que via se tinha alguma má formação. Fiquei imaginando uma mãe recebendo uma má notícia.

Eu também pensava muito nisso. Estávamos atravessando todos os exames muito bem, mas imagina se algo não corresse dentro do previsto? Como deve ser receber uma notícia ruim? Em alguns casos, faz diferença? Naquela altura do campeonato, eu já era mãe do Vicente, vindo ele com alguma má formação ou não. Sei lá, às vezes acho que a tecnologia veio pra melhorar tudo (no caso de ser possível reverter algum problema), mas às vezes sinto que veio pra trazer mais angústia pra gente. Sei lá… Guenta coração!

O final do segundo trimestre é na vigésima quarta semana. E eu sempre fuçava na internet (olha a tecnologia aí!):

Desde a semana passada, o bebê engordou cerca de 90 gramas. A pele dele é fina e frágil, mas o corpo está tomando forma e ocupando cada vez mais espaço dentro do seu útero.
Nesta fase, o bebê pode até estar desenvolvendo um fraco por doces. As papilas gustativas estão se formando e esse gosto pelo doce faz parte do processo.
Outro grande marco desta etapa é a possibilidade de o bebê agora sobreviver, com muitos cuidados especiais, num hospital bem-equipado, no caso de um 
parto prematuro. Ele se torna, então, um bebê “viável”. 
http://brasil.babycenter.com/24-semanas-de-gravidez#ixzz35nWYY53T

Ok, entendido: agora não era só eu que queria me entupir de doce! Vicente também… Aff… Que duplinha, hein? Meu bebê viável… <3

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

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