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Oiê, tudo bem por aê?

Por “aquê” tanta coisa rolando, mas tanta!

Quem acompanha o blog, deve ter lido alguns posts que fiz há tempos falando sobre minhas tentativas de engravidar/descoberta de uma doença chamada endometriose/cirurgia.

Ano passado não foi fácil, eu penei.

Muita expectativa nesse segundo filho/irmão do Vicente, a ideia de uma nova gravidez que já acontecia na cabeça, mas não na barriga.

Dores insuportáveis por causa da endometriose (imagina parir sem estar parindo? É meio por aí), milhares de idas a emergências achando que eu tava tendo um treco, consultas médicas, exames chatos e invasivos, cirurgia, recuperação da cirurgia e a esperança de que ela resolveria todos os meus problemas.

Não resolveu. Melhorei das dores que sentia, isso foi ótimo, claro, mas nada de bebê.

Meses e meses de tentativas e baldes de água fria. Muita, muita frustração.

Isso tudo aconteceu num momento de lacuna no meu trabalho, em que não tava rolando demanda, então meu foco estava praticamente todo voltado para essa gravidez que não vinha.

Tristeza, sensação de impotência, depressão. Tudo junto. Foi fácil, não.

O projeto da segunda gravidez, no início deu um gás no nosso casamento, nos aproximamos, o que é gostoso e natural.

Mas com o tempo, tudo vai ficando chato e mecânico. Ou seja, como se não bastasse a não chegada deste filho, a pressão que fazíamos sobre nós mesmos foi nos afastando e colocando nossa relação em crise. Sabe tudo errado? Tudo errado!

Até porque já temos um filho (maravilhoso!) e não faz o menor sentido deixar de olhar pra ele por conta de uma obsessão (é louco, mas inconscientemente foi virando obsessão). Mas a gente só enxerga essas coisas quando conseguimos sair minimamente do centro do furacão e analisar os fatos “de fora”.

Tenho muita dificuldade com as coisas que fogem do meu controle. Invento de querer coisas e quando quero, quero mesmo e pra ontem. Que nem criança mimada. Pode parecer bom em alguns casos, mas geralmente só traz uma ansiedade maléfica, que contamina tudo e todos que estão perto. Bem péssimo.

Mas hoje, o fim (fim não, acho que continuação!) desta história é feliz. Você deve estar aí pensando que estou grávida! Então, não. Não tô grávida, a alegria que quero compartilhar é que estou no meu período FÉRTIL, que nada tem a ver com o ciclo hormonal pelo qual, nós, mulheres passamos todo mês.

Esse papo aqui é sobre outro tipo de fertilidade. Aquela de sentir o sangue pulsando nas veias, o coração batendo no peito, de se sentir viva, de ter motivos pra estar animada, de ter projetos e metas, de não ter conquistado tudo (“grazaDeusa”), mas já ter conquistado algumas coisas das quais me orgulho.

Acho que precisei me sentir totalmente infértil, pra sentir a fertilidade brotando de dentro de mim novamente. Ficou cafona isso, né? Mas é que foi assim mesmo. Deixa eu ser cafona, vai?

O trabalho voltou com força total e com ele, a criação, a sensação de ver um filho, o produto deste trabalho, tomando forma. Quem ousa dizer que isso não é uma gravidez?

Me faz lembrar da linda canção da Marina:

“Eu tô grávida

Esperando um avião

Cada vez mais grávida

Estou grávida de chão”

“Estou grávida de chão”, cara, essa frase é demais!

Estou grávida de caminho, de estrada, de erro, de acerto, de labirinto, de chegada, de partida, de medo, de esperança, de insegurança, de dor, de alívio, da porra toda! Continuo percorrendo esse chão, claro, mas agora não me encontro mais no mesmo ponto. Agora tenho coragem de vir aqui, por exemplo, e contar o que rolou.

Tô conseguindo olhar mais pra mim, entender quais são as minhas necessidades reais, lacunas, minhas carências, ir atrás do que me falta e do que julgo importante.

Venho tentando abandonar velhos padrões, desatar nós que me fazem mal, me distanciando de pessoas e coisas tóxicas, pedindo mais perdão, afinal, pra quê deixar pra amanhã?

É claro que isso tudo é uma busca, que o caminho é longo, por vezes muito difícil e na maioria do tempo, solitário. Mas é isso, quem conquista tudo, morre. O que somos sem desejos? Eles são o nosso motor, nossa força pra seguir em frente. Né não?

Minha vida está longe de ser perfeita, é que eu reli aqui o post e fiquei com medo de passar esta sensação. Não! Continuo tendo mil problemas, milhões de questões. Mas é bonito quando começam a brotar os insights, quando conseguimos sentir alguma paz e gratidão pelo que já temos. Não é pouco.

Nas horas de mais sofrimento, geralmente temos as maiores chances nas mãos. De aprendizado mesmo, de trabalhar a aceitação, a resiliência que o momento pede,  de tentarmos sermos mais generosos com nós mesmos, com a nossa imagem.

Falando em imagem, passei os últimos anos tentando emagrecer e me sentindo a pessoa mais feia do mundo. Não vou mentir: ficaria mais feliz emagrecendo? Sim, ficaria. Afinal, o aceitável nessa bosta de sociedade é ser magra. Se você é gorda, é desleixada, não é saudável.  É difícil desconstruir isso.

Mas hoje tô me olhando no espelho e me gostando assim, do jeito que eu sou. Peitos caídos porém fartos e cheios de história. Pneuzinhos e coxão, e daí? Doce de leite me faz mais feliz do que alface. Nada contra, tá? Gosto de alface também!

O período está FÉRTIL, mores, porque é, sobretudo, de auto-conhecimento.

Sobre o segundo bebê que não veio, este não é um assunto encerrado. Está em pausa, descansando para, quem sabe, tomar forma, voltar mais forte no futuro. Deixa eu adubar o meu terreno primeiro. Uma semente precisa de terra boa pra brotar. E isso é mais certo do que um diagnóstico de endometriose. Não estou desmerecendo de jeito nenhum a luta de outras mulheres que têm endometriose ou qualquer outro problema impeditivo de gerar um filho. Não tô chamando ninguém de terra ruim! O conceito de terra boa, neste caso é muito abrangente pra mim. E tem me feito tão bem pensar assim…

Por enquanto, tem vida pra ser vivida: um filho lindo pra cuidar, um homem pra amar e um trabalho pra trabalhar, que também é filho. Tá FÉRTIL, sim!

Boa semana, gostosuras! <3

 

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

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