O nosso tempo e o tempo do relógio.

Pausa
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Ando sumida aqui do blog, o que me deixa triste e em falta comigo mesma. Escrever aqui me faz tão bem… Mas os compromissos diários e a correria para estar sempre em dia com a vida, vai deixando essa vida assim… apressada.

Vicente está cada dia mais levado, lindo e falante. Fala pelos cotovelos!  Fala besteira, faz a gente rir o tempo todo com tiradas hilárias.  Mês passado tomamos um susto com uma virose punk rock que ele pegou. Cinco dias de febrão ininterruptos, banhos de madrugada, emergência, pediatra, mas passou. Ufa!

 

o-tempo

Mas hoje vim aqui falar sobre outra coisa: ter ou não o segundo filho. Decisão difícil pacas, né? Não para a Natalia de 12 anos que tinha certeza que teria quatro filhos! Mas para essa de trinta e uma primaveras, que já tem um e sabe a disponibilidade emocional necessária para abrir mão de um monte de coisa, de passar por uma nova gravidez e com ela milhares de descargas hormonais… Essa Natalia de hoje pensa e repensa tudo o tempo todo. São duas Natalias dialogando uma com a outra: a corajosa, que se lança no abismo de olhos fechados e a medrosa, que simplesmente recua.

E não tem a ver só comigo, certo? No meu caso, não faço filho sozinha, tem os desejos/medos do meu companheiro, Marcelo.

E para problematizar mais todas essas questões, veio um terceiro elemento: a maldita da Zyka que está deixando todo mundo apavorado. Vamos combinar que nesse calor do Rio, sair de calça e manga comprida, é pra desmaiar no meio da rua, né? E se empapuçar de repelente 3 vezes ao dia? A criatura fica livre das picadas do aedes ao mesmo tempo que arruma uma alergia respiratória, dermatológica, enfim… Pesadelo, tempos sombrios… Tá chato.

Tirando os 3 elementos (eu, Marcelo e a Zyka), tem o Vicente, que sim, vem sinalizando há algum tempo o desejo de ter um irmãozinho. Óbvio que tenho quase certeza que ele imagina um irmão menino, que vai nascer com aproximadamente a idade dele, já gostando de super heróis e patrulha canina. Acho que se se ele soubesse a verdade, não ia querer não! Mas é impressionante como o nosso desejo foi rapidamente absorvido por ele. Vicente começou a ter uma fixação por mulheres grávidas, pede pra ver fotos de quando ele estava na minha barriga. O danadinho é esperto e sensível, como um bom escorpiano.

Bom, somado a essa galera, tem a grana curta, época de crise e corte de gastos. Tá fácil pra quem? Essa história de onde come um, comem dois, funciona até a página três. Viver no Rio de Janeiro está um caos. Amo minha cidade apesar de todos os pesares e nunca me imaginei morando fora do Brasil, mas cara, tá difícil… Ô cidade cara…

Se você leu até aqui, deve estar imaginando que a resposta é não, não queremos ter um segundo filho. Só que a gente é maluco e ama esse negócio de filho, porque eles melhoram a gente, trazem pureza e alegria para os dias mais cinzas. Então a resposta é sim. Queremos. Mesmo sabendo que na primeira noite não dormida, vamos nos arrepender momentaneamente.

Queremos. Teremos? Esse é um segundo passo. Alguns acompanharam meu relato da endometriose, doença perversa que se instalou na minha vida sem dar seta e virou tudo de cabeça pra baixo.

Me submeti à uma cirurgia no início deste ano para limpeza dos focos e apesar de estar me sentindo bem melhor, voltei a sentir algumas dores chatas. Isso deu um nó na minha cabeça. Passei a desconfiar do meu corpo, da minha fertilidade. Passei a acreditar que eu, o Vicente e você que tá aqui me lendo, somos um milagre. Estou exagerando? Não. Em condições normalíssimas de temperatura e pressão, isto é, quando o corpo da mulher está bombando e a qualidade do esperma também, temos cerca de 20 % de chance de engravidar numa relação sexual. Caraca! OITENTA % de chance de dar errado. Diz aí: somos ou não um milagre? Quando algo não vai bem, essa chance diminui.

Neste processo de fazer exames, tenho feito muitos ultimamente, eu e Marcelo fomos obrigados a colocar o pé no freio. E colocar o pé no freio pra mim é deixar de acelerar, difícil a beça, um desafio, um sofrimento. Quando eu coloco uma coisa na cabeça, vou até o fim. Aí você pode pensar:

-Gente que faz! Natalia “executadora”, diretora de produção, diferentona…

Na verdade, essa característica pode ser considerada uma qualidade ou um defeito, uma vez que gera muita ansiedade pra mim e para os que me cercam.

Vejam bem, não temos um diagnóstico de infertilidade, mas o fato é que estamos nos deparando com alguns obstáculos. Temos um mundo de opções caso não role naturalmente:  inseminação, FIV, ADOÇÃO.

Temos pensado e conversado muito sobre adoção. Sempre tivemos essa vontade, independente de gerar mais um filho ou não. (Abafa o caso que a maluca aqui tá cogitando 3! Não conta pro Marcelo!)

Ganhei novas e preciosas amigas num grupo materno virtual (GABI, TATI, MARTA, PRI, MARIA RITA, amo vocês! <3 <3) e algumas delas adotaram crianças maravilhosas. Minha convivência com histórias reais tão próximas, me deixou mais atenta e sensível para a adoção.

Já temos um filho “adotado” adolescente! O Leo. Ele tem mãe (Gi, me perdoa, não fica com ciúmes!) A gente se adotou simultaneamente. Ele mora na casa dele, tem família, mas a nossa casa é dele também. Vimos nascer, crescer e amamos como se nosso filho fosse! Amor fisga a gente! Tenho tatuado o nome do Vicente e dele. E o Vicente o chama de “meu irmãozão”! <3

Mas eu escrevi até aqui pra dizer que o negócio é o seguinte: existe o tempo das coisas e o tempo da gente. Nem sempre quando a gente resolve que o tempo é agora, vai obter um SIM como resposta. Às vezes o que vem é um sonoro NÃO. É frustrante? SIM. Mas nada é definitivo. É preciso ter calma. Confiar em sei lá o quê (Deus, vida, universo, corpo, destino) e diminuir a largura do passo. Só um pouquinho. Um dia de cada vez. Tudo tem seu tempo. Tudo tem a sua hora. E se der errado, a gente inventa alguma coisa pra dar certo.

“Ando devagar porque já tive pressa…”

OBS: se você estiver passando pelo mesmo, quiser trocar uma ideia, bater papo, vou adorar te conhecer! Escreve para:

blogmultiplicamor@gmail.com

 

 

 

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

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