Maternidade real ou o que não me contaram ou Carpe Diem!
4 de dezembro de 2015
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10 de dezembro de 2015
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Sim, eu dei chupeta para o meu filho. Sim, eu MANDEI/ORDENEI Marcelo ir na farmácia comprar uma quando Vicente tinha 5 dias e teve sua primeira crise de choro interminável, daquelas que você mete o peito na boca da criança, não adianta, mete o outro, nada, troca a fralda, urros, faz massagem na barriguinha, gritos, passeia quicando pela casa, canta músicas de ninar, liga pro pediatra, reza pra Deus, Nossa Senhora, liga pra sua mãe, praquela sua amiga que tem 4 filhos e deve saber tudo sobre absolutamente tudo de bebês… Nada!

-Ele era tão calminho na maternidade, veio com defeito! Vou reclamar! Marcelo, só me volte nessa casa com uma chupeta!

E assim teve início sem dúvida alguma, um dos maiores amores da vida do Vicente: a “Pepê”, a “Peta”, a “Pepêta”, a “Popoia”. E da minha também! Sim, eu também amei muito a chupeta.

Acho incrível quem consegue passar por uma vida com bebê e não sucumbir ao bico de plástico. Bato palmas, mesmo! Faz parte de um nível de maturidade que não consegui alcançar. Apenas não julguem essa mamãe aqui dependente da “Pepê”.

A chupeta atrapalha a dentição e pode atrapalhar também a amamentação, não estou aqui fazendo apologia dela, pelamor… Melhor mesmo deve ser não usar, mas aqui pelo menos não causou dano à amamentação, já que Vicente mamou exclusivamente no peito até 6 meses.

Por que eu estou escrevendo sobre isso hoje? Porque há 5 dias, Vicente não usa mais chupeta. Ele tem 4 anos e foram 4 anos de muito dinheiro gasto em chupeta (já que uma boa chupetinha hoje em dia custa em torno de R$ 18,00).

Vamos imaginar que eu tenha comprado, sendo muito otimista, em média 4 chupetas por mês. Achou exagero, né? Pra quê tanta chupeta pra um bebê só?

A resposta é simples. É que tem um tal de Gnomo que rouba TODAS as chupetas da casa! Elas simplesmente somem como num passe de mágica. Façamos as contas:

18 X 4 X 48 (meses) = R$3456,00

Quase 3500 pilas em chupeta! Esse é o tamanho do rombo!

Você pode me perguntar se me arrependo, se faria diferente num próximo filho. Olha, não sei. Talvez eu tente, sim. Mas o fato é que eu também me tornei dependente da chupeta. Ela me fez dormir algumas horinhas a mais quando eu estava exausta, dentre outras coisas.

Mas sim, 4 anos foi tempo demais. Desde  que Vicente tem 2 anos, eu e Marcelo começamos a nos preocupar com esse “desmame”. Marcelo então, era neurótico com isso. Eu e Vicente éramos meio cúmplices. Me sentia uma traficante, comprando a chupetinha dele escondida do Marcelo, que sempre me dava um esporro me vendo ceder ao escândalo dele.

Mas sabe o que é, gente? Eu sempre soube que ele não chuparia chupeta pra sempre. Se eu coloquei este acessório na vida dele quando foi conveniente principalmente pra mim, não me sentia no direito de tirar de uma forma traumática.

Ele começou a pedir menos, usava pra dormir, quando tava de preguicinha ou chateado com alguma coisa. Passou a sentir vergonha de usar na frente das pessoas. Se tinha visita em casa, às vezes ele se escondia atrás do sofá pra chupar a pepê. Ele já dava sinais de que estava se preparando pra largar. E eu também. No início, sempre deixava uma chupeta guardada no armário pra uma emergência. O fato de saber que ela estava ali, acalmava meu coração. Era tipo meu maço de cigarro fechado dentro do armário quando parei de fumar. Estava tudo bem, o cigarro existia e estava ali, a chupeta também. Todos nós dividíamos o mesmo teto, ufa!

Há 5 dias Vicente não chupa mais chupeta. Ele reclamou muito no primeiro dia, mas não cedi porque senti que ele estava pronto. Reclamou um pouco menos nos demais dias que se seguiram e hoje, simplesmente não tocou no assunto! Página virada! Quer dizer, assim espero.

Ele está sim, um pouco descompensado. Vicente sempre acordou por volta de 9hrs e desde que abandonou a chupeta, acorda às 6! E eu também! ???

Mas eu estou muito orgulhosa da conquista dele, da coragem em crescer e com uma certeza pulsante no meu coração: as coisas têm o seu tempo. Cada criança é uma e cada um sabe onde seu calo aperta. Vamos aprender a respeitar o tempo do outro, as limitações do outro, sejamos mais pacientes e julguemos menos! Eles não vão chupar chupeta pra sempre, não irão usar fralda pra sempre, nem pular pra nossa cama na madrugada pra sempre. <3

 

 

 

 

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

3 Comentários

  1. Gloria Barreto disse:

    Eu acho o máximo, Nat. Não suporto essa patrulha do politicamente correto que insiste em uniformizar atitudes para seres humanos que são diferentes. Você e Andrea sempre passaram pra minha cama, de noite, quando sentiam medo, quando estavam angustiadas ou carentes. Nenhuma das duas ficou com trauma por isso. Muito pelo contrário, na hora de levantar vôo, eu mal conseguia falar com vocês. Aliás, se isso fosse uma verdade absoluta, todas os filhos das família pobres deste Brasil (que infelizmente são muitas) e que têm que dormir todos embolados em um cômodo só, junto com os pais, todos os dias, seriam pessoas traumatizadas. Ah, sim, mas pobre não tem tempo e nem dinheiro pra isso, né? Por isso dou a maior força: observe seu filho, fique atenta às necessidades específicas dele, aja com bom senso e sobretudo com o coração. Parabéns por mais esta vitória! beijos!!! mami :))

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