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Oiê! Como vocês estão?

Todos dormem por aqui (você provavelmente vai ler isso de manhã, mas a inspiração me ataca sempre nas madrugadas. Quando fico “sozinha”, quando consigo me escutar melhor).

Então, Vicente passou por uma pequena cirurgia (postectomia – a famosa fimose e hérnia inguinal).

São procedimentos muito simples e comuns na infância e principalmente na vida dos meninos (a hérnia inguinal também pode acontecer com meninas, só que é menos comum).

Simples para os médicos e nada simples para os pais. Me tirou noites e noites de sono e me fez parar na emergência uma semana antes (piriri de nervoso, pane no sistema).

A cirurgia de fimose nem sempre é necessária, mas no caso do Vivi, o pintinho dele vivia inflamando de tão fechadinho que era. E a história da hérnia, é que ele acabou desenvolvendo uma hidrocele (água no testículo, nada grave, mas o tratamento é cirúrgico).

Poderia tentar dar detalhes médicos na ordem cronológica em que tudo aconteceu, até porque sei que tem sempre gente passando por uma situação parecida (ou igual – se esse for o seu caso, me escreve que te conto tudo!), mas  venho aqui hoje, falar menos de termos técnicos e mais da experiência que tivemos.

A experiência apesar de tensa, claro, ensinou muito pra gente. Nos mostrou a força do nosso menino e o poder dos laços de amor e confiança que temos com o nosso filho.

Primeiro foi aquela história… não dava pra mentir pro Vicente e dizer que ele iria passear, sendo que ele seria operado e sentiria com certeza, alguma dor no pós operatório. Não é justo. Criança merece respeito. Ao mesmo tempo, não dá pra ser muito literal, afinal de contas, você não quer apavorar a criança, néam?

Então passei umas duas semanas dizendo pra ele que tal dia iríamos no médico consertar o pinto.

– Lembra filho, que às vezes o pinto dói pra fazer xixi? Que o saquinho fica duro? Então, a gente vai no médico e ele vai resolver isso.

– Vai doer?

– Na hora, não. Você vai dormir. Mas depois vai doer um pouco, sim. Mas mamãe e papai vão estar com você o tempo todo, cuidando, dando os remédios e vai passar logo.

– E eu vou ganhar uma surpresinha?

– Vai! O que você quer?

– Um Lego do batman.

(Sim, achei que ele merecia ganhar um brinquedo, já que ficaria dias e dias em casa)

– Beleza!

– Oba! Quero consertar meu pinto logo!

Essa foi a base da nossa conversa, que surgiu de forma intuitiva e que tivemos várias vezes. Ele sabia que estava se aproximando um evento muito importante de piru!

Um dia antes da cirurgia, eu nervosona (Marcelo tem uma calma que não sei se agradeço, afinal, dois pirados em casa não serve pra nada ou se dou uma sacudida e uns gritos), liguei pro cirurgião, super recomendado pelo pediatra querido e amado (foi o meu pediatra também! É pediatra “avô” do Vivi) e falei das minhas inseguranças e medos.  Ele me acalmou muito, muito mesmo. A ponto deu conseguir dormir uma noite depois de dias dormindo mal.

Chegou o dia. A cirurgia estava marcada para 11hrs e o bichinho precisava ficar em jejum.

Cara, achei que ia ser foda, mas ele não pediu pra comer nenhuma vez! A gente explicou que só podia comer e beber água depois de consertar o pinto e ele falou:

– Tá bom, mamãe, depois da minha CIRURGIA, você compra um pão de queijo pra mim?

Oi???? Ele falou CIRURGIA! A gente nunca falou essa palavra na frente dele. Apesar de sabermos que ele não sabe de fato o que é uma cirurgia, ficamos muito impressionados com a maturidade dele.

Gente, as crianças sacam tudo. TUDO!

Ele entrou no centro cirúrgico rindo, por volta de meio dia, dando tchau e levando o batman, seu fiel amigo.

Quando ele entrou na sala, caí no choro. Mas não só pelo Vicente. Claro que senti medo, mas sabia que daria tudo certo. Só que fui invadida por um sentimento de dor, de pensar nas mães (me perdoem os pais, me perdoe o feminismo, mas foi um sentimento totalmente FEMININO mesmo), que se despedem nos centros cirúrgicos, entregando seus filhos para fazerem cirurgias graves cardíacas ou algo assim, sem imaginarem qual será o desfecho. Pensei nas mães que não têm plano de saúde, que não podem estar com um médico renomado, que não têm a quantidade de privilégios que eu tenho. Que porra de mundo desigual…

Conversei sobre isso com a minha mãe, coloquei um pouco pra fora e foi bom.

Me senti conectada com estas mulheres, pedi força, sei lá. É difícil explicar porque foi triste sentir isso, mas ao mesmo tempo foi um momento bonito, de uma grandeza, sabe? Como se eu estivesse compreendendo algo apenas sentindo.

A cirurgia demorou uma hora e meia e o Vivi voltou muito agitado por conta da anestesia. Esse foi o momento que o Marcelo ficou tenso e eu vi os olhos dele cheios de lágrimas. Eu já estava forte, sabia que isso aconteceria e que ia passar.

Passou. A recuperação ele tirou de letra. O Vivi é meio dramático (também, tem a quem puxar!), a gente achou que ia ser sinistro, que ele ia reclamar muito!

Na real, ele só reclamou mesmo no primeiro dia. Voltamos pra casa umas 3 horas após a cirurgia e à noite ele já estava bem ativo.

Passamos o carnaval de molho, no nosso “bloco do pinto novo!” Recebemos muitas visitas deliciosas de amigos que nos ajudaram a passar por uma semana sem tanto tédio.

Essa semana ele voltou pra escola! Passou! E nos ensinou tanto sobre a sua força, sobre a potência dos nossos vínculos, sobre tanta coisa…

No meio do caminho, tem umas coisas chatas, mas o legal mesmo é quando a gente aprende algo com elas, né não?

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

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