Carta para minha amiga grávida ou o que eu gostaria que tivessem me contado antes de me tornar mãe.

Das coisas que nos deixam mais fortes!
9 de março de 2017
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Ontem foi o chá de bebê do Joaquim, filho esperado de dois grandes amigos e já tão amado.

A gente sempre recebe muitas felicitações com a chegada de um filho, mas a maternidade é TÃO, TÃO idealizada, é tão baseada em fotos de família de comercial de margarina em revistas, que quando nasce o bebê, fica puxado lidar com nossas próprias reversões de expectativa. Afinal, é lindo, mas não é simples.

Pensei no que eu tinha de mais precioso pra dividir com essa amiga tão querida, além do meu tempo, claro. E foi aí que resolvi escrever uma carta contando o que eu gostaria de ter ouvido antes de me tornar mãe.

Divulgo a carta aqui pois, quem sabe, pode fazer sentido pra você também? Mulheres grávidas, com bebê pequeno, mulheres que estão na dúvida se embarcam no mundo da maternidade ou não… Compartilho a minha verdade com vocês! Aí vai:

” Minha amiga, quero e mais do que isso, preciso te dizer algumas coisas.
Não porque sou dona da verdade, mas porque gostaria de ter lido algo parecido com isso antes de me tornar mãe.

Seus dias ficarão mais complicados. Você sentirá medo e insegurança. Quando ele nascer, você vai morrer um pouco e reviver de um outro jeito. E isso é tão lindo…

Muito provavelmente você vai desejar que essa fase passe. Que ele cresça rápido, que ele faça logo 3 meses, pois todo mundo vai te dizer que 3 meses é um marco. As cólicas melhoram, os bebês geralmente passam a dormir umas 3/4 horas seguidas…

É muito louco desejar 3/4 horas de sono seguidas (e eu espero que seu bebê durma bastante!), porem é mais provável que ele tenha um padrão parecido com o da maioria, ou seja, que acorde toda hora mesmo!

Aí quando ele fizer 3 meses, você provavelmente vai desejar que ele faça 6, um ano!
Quando estiver amamentando (e eu te
desejo muito leite de peito!), terá dias que não saberá onde começa você e onde termina ele.

Em algum momento, vai querer muito provavelmente dar uma mamadeira (e tudo bem também se esta for a sua decisão – mas tenha certeza que ele não vai mamar pra sempre e que também é provável que você sinta saudade disso).

Vai ficar de saco cheio, se sentindo com cheiro azedo, feia, estranha e muito cansada.
Veja bem, claro que não é uma regra, mas é provável.

Bem provável que você chore, que você se arrependa, que você sinta raiva de todas as mulheres que engravidaram antes de você e venderam a maternidade como um sonho ideal. Sentirá raiva de toda mulher que é mãe, ponto! Sentirá raiva de mim, de todas as suas amigas que tiveram filho, da sua irmã e até da sua mãe! Ou um eterno respeito. Ou os dois. Ou nenhum dos dois.

Senti tudo isso. E por muitas vezes, me senti totalmente sozinha.

É uma solidão que não depende de ter gente ao seu lado, sabe? É solidão na essência. E também é bonito.

Mas o mais importante é que eu gostaria de ter levado a sério o lance do: aproveita que voa!
Cada noite mal dormida, cada golfada, cada cabelo descabelado, PASSA!
O que fica é uma saudade de coisas que não vão mais voltar.

Das coisas que você deixou passar batido por não estar vivendo o momento presente, por estar sempre com a cabeça lá na frente, imersa num mundo de expectativas.

Daqui a mais ou menos dois anos, você não terá mais um bebê. Terá um menino. Permita-se perder-se com ele no seu ninho, porque já já ele começa a voar.

Num segundo ele desmama, no outro desfralda, no outro tá indo pra escola, no outro te dá tchau sem olhar pra trás e as questões vão mudando. Mas essa base de amor estará sempre firme e forte aí. É vínculo pra sempre.

Mesmo que você tenha outro filho, esse que tá aí, o Joaquim já tão amado, é único.

Você não vai morrer de sono, vai ter muito sono, mas não vai morrer!
Você não vai ficar trancafiada em casa pra sempre! Você vai voltar a sair.
Você vai voltar a trabalhar!
Sua vida não será mais a mesma, mas aos poucos vai se ajustando.

Aproveite cada sorriso, cada mamada, cada novidade, cada madrugada insone, cada olheira… Do jeito que der pra aproveitar, mas aproveite.

Por fim, eu sei que você não vai me obedecer, hahaha!
Muito provavelmente você vai esquecer tudo isso que eu tô te contando aqui.
Será a SUA experiência.
Mas estas palavras estarão aqui pra sempre, pra quando você se esquecer de lembrar.
Pra você se sentir menos sozinha na sua aventura.
E lembra também que eu te amo e que tenho absoluta certeza que você é a melhor mãe que o Joaquim podia ter.

É um caos, sabe? Não poderia jamais mentir pra você, mas é o caos mais bonito e avassalador que você vai viver. É provável… rs!
Bem vinda ao SEU novo mundo!
Da sua,
Brou. 💚”

É que a gente se chama de Brou!

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, comilona eternamente de dieta, ansiosa, questionadora, inquieta e insone por natureza, amorosa… sou coisa a beça!

4 Comentários

  1. Marcelo disse:

    Caiu um cisco aqui no meu olho….

  2. Bianca Silvestrin disse:

    Choreiii litros

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