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Olá, pessoal!

Como vamos por aí?

Ano novo na área, entrando no segundo mês e com a ideia de estar mais presente neste espaço.

Venho aqui hoje desmembrar um assunto de um post que fiz recentemente na minha página.

Tem a ver com maternidade, feminismo, política, empatia, empoderamento. Ou seja, é profundo a beça e, por mais que eu “fale”, não falarei tudo.

O feminismo pra mim, teve início com a chegada do Vicente. Mais precisamente, com a minha entrada num grupo de mães na internet, formado em sua maioria por mulheres incríveis, pensantes, fortes e inspiradoras.

A maternidade por aqui é um processo de insights diários, de fichas (sou da época das fichas, hehe) caindo sem parar.

Passei a questionar meu parto (que foi cesárea), amamentação, olhar para as dificuldades que passei na gravidez e puerpério com um olhar às vezes crítico, e, atualmente, quase sempre generoso. Mas foi e ainda é um processo… uma conquista mesmo.

Porque tem coisas que a gente banca, tem outras que simplesmente não rola. E é isso aí. Me incomoda demais essa atmosfera de competição entre mães e suas formas de maternar. Na verdade, me incomoda essa ideia absurda de competição entre mulheres que nos forçaram goela abaixo e que agora estamos aqui, penando pra desconstruir.

Quando me vi dentro de uma rede de apoio, onde fiz inclusive amigas valiosas que saíram do virtual para o real, tive total convicção de como nós, mulheres, somos potentes juntas. Junta meia dúzia de mulher pra vocês verem? Agora junta meia dúzia de mulheres mães? Não desmerecendo de jeito nenhum as que não são, mas é que mãe é um ser – a ser estudado mesmo. Somos bichas fortes!

De início, me encantei com a humanização do parto natural, domiciliar, passei a nutrir muita admiração por estas mulheres leoas que enfrentam um trabalho de parto sem anestesia, por exemplo. Quer me deixar empolgada, me mostra um vídeo de uma mulher parindo! Ou me bota pra ler um relato de parto. (Sim, eu sou essa pessoa.)

Me frustrei com tudo que deu errado comigo e passei a querer alertar qualquer grávida que passava pela minha frente, numa tentativa que ela tivesse uma experiência melhor que a minha. Com o tempo fui entendendo que só trocamos conhecimento com quem está disposto. Parece óbvio mas é um exercício. Isso me deixa menos desesperada quando tem uma grávida na rodinha dizendo que queria muito parir mas que o médico marcou cesárea porque o bebê está sentado (com 30 semanas de gestação).

Num segundo momento, passei a enxergar a opressão do lado “humanizado” da história. Isso ficou muito claro quando fui fazer um curso que abordava toda essa temática “parto/puerpério”, onde se falava em parto ideal. Como se não bastasse parir, tinha que parir de determinada forma para a experiência ser válida. Tem que entrar em transe (na chamada “partolândia”), tem que se entregar, senão era como se não valesse. Aquilo me deixou triste e confusa. Saí de lá sufocada e com a sensação de que tudo estava errado.

No tal grupo de mães da internet, esta questão já estava sendo levantada e houve debates riquíssimos. Ufa! Eu não era a única que estava incomodada com isso! Me senti menos ET.

Foi quando eu entendi que os dois lados da moeda (correntes cesarista e humanizada) podem ser extremamente opressores.

No meio deste furacão todo, passei a ver mulheres postando textos “pró-cesárea”, numa onda claramente reativa.

Algo do tipo: querem dizer que eu não pari, logo eu, que tive 7 camadas de pele cortadas, aguentei as dores de uma cirurgia com um bebê para cuidar e carrego comigo uma cicatriz.

Procurei entender o porquê de textos como este me causarem tanto incômodo e acho que descobri.

As pessoas estão muito preocupadas em legitimar suas experiências, mas muito mesmo e não pensam no coletivo.

Deixando clarésimo que também acho uma chatice quem diz que cesárea não é parto ou te corrige quando você fala:

– No meu parto…
– No seu parto não, na sua cesárea.

Ora bolas, deixemos as nomenclaturas pra lá que isso tá longe de ser o mais importante!

Contudo, porém, todavia, não é porque eu tive cesárea e reconheço o meu mérito por ter passado por isso (eu reconheço!), que vou sair por aí, levantando essa bandeira.

Porque sei que o parto natural é melhor e mais saudável para as mulheres e seus bebês. Dane-se o que aconteceu comigo, foi do jeito que deu pra ser, eu sou apenas uma gotinha no oceano. Sou o micro. E o macro? Onde fica o todo? E geral por aí?

Me submeti a uma cesárea mas não desejo o mesmo para a minha coleguinha (a não ser que ela deseje, aí quem sou eu pra “des-desejar”) ou que vou levá-la a crer que essa é uma ótima opção. Quero que as mulheres (todas) tenham a melhor experiência possível!

Mesma coisa com a amamentação. Mulheres que não quiseram ou não conseguiram amamentar e têm filhos super saudáveis (graças!) que mamaram leite artificial, falando:

– Nunca dei de mamar pra fulaninho e ele é um touro!

Miga, é medicina baseada em evidências. Não é achismo. Leite de peito é maravilhoso e ponto.

Tudo BEM se VOCÊ quis ter cesárea, se não deu pra parir, se não quis ou não rolou de amamentar, veja bem: Tudo MEGA BEM! Só que esse assunto é TÃO maior. É BEM maior que você. Apenas isso.

Resumão: nunca, mas nunca mesmo desencoraje uma mulher. O sistema já trata de escrotizar direitinho. Ofereça apoio, informação, acolha com carinho seus medos e deixa ela escrever a história dela, do jeito que for possível. E só.

<3

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

2 Comentários

  1. Bel Sampaio disse:

    Amei o texto! A maternidade é uma arte. Me senti por vezes muito incomodada com os julgamentos e tantas certezas de outras mães. Vale a reflexão. Como você disse: Tudo bem! Beijão querida!

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