A descoberta – Parte 2

A descoberta
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12 de outubro de 2015
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No dia seguinte, pulei da cama cedo. Me olhei no espelho e aparentemente, tudo parecia igual, mas só aparentemente porque eu estava mesmo uma PILHA! Já sou um ser inquieto por natureza, imaginem com uma novidade dessas!

Fui correndo pro laboratório fazer o exame de sangue pra confirmar o teste de farmácia. Um looongo dia de espera. Os minutos não passavam, as horas então… uma eternidade. Mas dentro, bem lá no fundinho de mim, não havia dúvidas: eu estava grávida.

Além do Marcelo e minha mãe, contei apenas para os mais chegados, como minha irmã, madrinha, minha prima e a Ana, amiga da época da faculdade. No dia anterior, quando fiz o teste de farmácia, mandei uma foto pra ela, perguntando se eu estava enxergando direito. Ela disse:
– Você não tá grávida! Você tá MEGA grávida! Olha essa segunda listra rosa bombando aí!

Pra quem não sabe, o teste de farmácia é  tipo um palitinho que vem com um potinho. Você faz xixi nesse potinho e coloca o palitinho dentro. Se aparecer uma listra rosa, você não está grávida, mas se aparecerem duas listras, tchãnãnãnã: é batata, minha filha! Você nunca mais vai dormir como se não houvesse amanhã. O amanhã desperta cedo, às vezes antes do sol! (Não quero apavorar ninguém! Com o passar dos anos, vai melhorando? Vai! Mas aquele sono profuuuundo, esqueça dele, afinal, não estou aqui pra enganar os desavisados!)

De meia em meia hora (mentira, de 5 em 5 minutos), eu entrava no site do laboratório pra ver se o resultado estava liberado. Lá pelas 20:30h, saiu o resultado: 6 semanas de gestação. Meu coração pulou pela boca.

Liguei correndo para a minha ginecologista e ela pediu para eu ir à Perinatal fazer uma ultra, ver se estava tudo bem.

Liguei pro meu pai e contei que ele ia ser avô, só queria falar quando tivesse certeza.
Acho que me bateu aquela vergonhazinha que as meninas sentem dos pais, às vezes… Tipo dele pensar:
– Minha filha já transa?
Dãããrrr… Eu tinha vinte e seis anos!
E aí fomos todos juntos para a Perinatal: eu, minha mãe, meu pai, Marcelo e a mãe dele. Todos eufóricos e assustados.

Entramos na sala de exames e eu deitei naquela maca com um misto de ansiedade, medo e felicidade.
Só pensava em como eu desejei ser mãe a minha vida inteira. Acho que desde que nasci, já vim com uma boneca pendurada no braço. Colocava travesseiro na barriga, pra fingir que estava grávida, roubava leite de verdade pra colocar na mamadeira da Diana (nome da minha boneca preferida) e levava altas broncas da minha mãe por estar desperdiçando comida… Fazia cabana na sala com as cadeiras e um cobertor por cima, e fingia que estava acampando no meio da selva, com a Diana, minha filha. Mas o melhor da história na minha cabeça, é que o pai dela, de quem eu era separada, estava querendo tirá-la de mim, ou seja, éramos duas foragidas! Pois é, minha gente, com 8 anos de idade, eu já era chegada num drama.

Voltando à sala de exame, um pequeno filme passou pela minha cabeça enquanto o médico se preparava pra fazer a ultra.
E de repente: TUM, TUM… TUM, TUM… TUM, TUM…
Era verdade! Eu tinha um coração dentro da minha barriga e, fala sério: isso é emocionante pacas!
Meu pai convidou todo mundo pra um brinde, ali perto. Enquanto todos tomavam champanhe, eu brindava com um refri! Tim-tim!

Natália Sambrini
Natália Sambrini
Sou Natalia, mãe do Vicente, roteirista, atriz, produtora, escorpião com ascendente em áries e lua em câncer (pra quem é ligado nos astros), balzaca, brasileira por parte de mãe e paraguaia por parte de pai, carioca da gema, feminista, questionadora, ansiosa, inquieta e insone por natureza... sou coisa a beça! O que eu gosto mesmo é de gente!

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